Oct 19, 2021 Last Updated 7:03 AM, Oct 19, 2021

3 Tema - A consolaçäo e o consolador

Categoria: Missione Oggi
Visite: 3612 volte
A CONSOLAÇÃO E O CONSOLADOR

O NOME QUE TRAZEMOS
O X Capítulo Geral realizado no Quênia, primeiro horizonte do caminho ad gentes do Instituto, aos cem anos de sua fundação, nos convida a fazer “uma profunda reflexão sobre a espiritualidade da consolação” (Atos, p. 56).
Pois bem, lancemos juntos um olhar à Escritura, à história, aos desafios do tempo.

1. A ESCRITURA
A) O tempo do Messias – as duas vindas – No Antigo Testamento o profeta Isaías anuncia o tempo do Messias como tempo de consolação. O Novo Testamento anuncia Jesus como Messias que inaugura e dá plenitude ao tempo da consolação: “Havia em Jerusalém um homem chamado Simeão. Este homem, justo e piedoso, esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava com ele” (Lc 2,25). Aparece no horizonte o Sol da Justiça: luz das nações e glória de Israel.
Com a imagem da espada, também Maria é totalmente envolvida no projeto messiânico.

Certo dia, Pedro, transformado pelo Espírito de Pentecostes, depois de curar o paralítico, entra no templo, onde o velho Simeão havia profetizado, e completa o anúncio: “Arrependei-vos e convertei-vos, a fim de que sejam apagados os vossos pecados; virão assim, da parte do Senhor, os tempos de refrigério. Então ele enviará o Cristo que vos foi destinado – Jesus – a quem o céu deve acolher até os tempos da restauração de todas as coisas” (At 3,19-21).

B) A vida pública de Jesus – O evangelista Lucas relê o texto da missão (Isaías, capítulo 61) numa luminosa prospectiva e densidade cristológica. É uma passagem que contém elementos tão significativamente entrelaçados, que chega a ser um compêndio de teologia da missão-consolação, no signo de uma delicada e evidente referência mariana. A proclamação da Boa Nova dá-se em Nazaré, o modesto povoado de Maria, anotando: “Jesus foi a Nazaré, onde fora criado...” (Lc 4,16). As passagens paralelas de Mateus (13,55) e de Marcos (6,3) falam expressamente de Maria. O texto relaciona o Espírito Santo com a libertação dos oprimidos, o ano do jubileu e a consolação de todos os que choram: “O espírito do Senhor repousa sobre mim, porque o Senhor me consagrou pela unção, enviou-me a levar a boa nova aos humildes, curar os corações doloridos, anunciar aos cativos a redenção, aos prisioneiros a liberdade, proclamar um ano de graças da parte do Senhor... para consolar todos os aflitos” (Is 61,1-2).

A dimensão missionária do texto de Lucas é evidenciada também pela referência que Jesus faz aos profetas Elias e Eliseu, que se dirigem aos pagãos: a viúva de Sarepta e Naamã, o Sírio. Este mosaico de Lucas é uma espécie de “micro epifania” do carisma dos Missionários da Consolata:
o anúncio messiânico de Jesus; o Espírito Santo Consolador; a Boa Nova anunciada aos pobres e oprimidos como “distintivo” da consolação; a missão ad gentes para além das fronteiras de Israel (a Síria); a “discreta” presença de Maria.

O tempo da consolação atinge o momento culminante na hora da Cruz e da Páscoa, com o sopro do Espírito e o dom da Mãe.

C) Tempo do Espírito Santo – Jesus volta à direita do Pai e, como sinal da “vitória pascal”, envia o seu Espírito. É o tempo da Igreja. O Espírito Santo é o novo Consolador. Jesus o havia predito: “... Rogarei ao Pai e ele vos dará um outro Consolador” (Jo 14,16).
O Espírito Santo inaugura a missão no dia de Pentecostes (cf. At 2,1-16); dá força à palavra de Pedro perante o Sinédrio (cf. At 4,,8-22); sustenta o testemunho e o martírio de Estêvão (cf. At 6,7); antecipa o batismo de Cornélio e de sua família (cf. At, capítulo 10); escolhe Barnabé – filho da consolação – e Saulo para a missão (cf. At 13,1-3); o Espírito Santo anima e ilumina as decisões do Concílio de Jerusalém (cf. At, capítulo 15); abre o caminho e escolhe o campo de missão de Paulo e companheiros (cf. At 16,6-15); completa o batismo dos discípulos de João Batista, em Éfeso (cf. At 19,1-7); profetiza os sofrimentos e o cárcere de Paulo (cf. At 20,23); assiste o Apóstolo no cárcere e o acompanha na viagem a Roma (cf. At 27,23); em Roma, ilumina a escolha definitiva de Paulo, enviado ad gentes (cf At 28,25-29).
Desta forma, o tempo messiânico no qual e com o qual caminhamos é assinalado pela presença dos dois missionários-consoladores enviados pelo “Pai das misericórdias e Deus de toda consolação” (2 Cor 1,3).

2. O CONSOLADOR E A CONSOLATA
O Consolador inundou com sua graça a Virgem Maria – a Consolata – como um sacramento da maternidade de Deus: “Pode, acaso, uma mãe esquecer o filho que amamenta, o filho que gerou?... Como uma criança que a mãe consola, sereis consolados em Jerusalém” (Is 66,13).

a) A Dolorosa-Consolata (Consolada) – Padre Luiz Balsan, no seu bonito estudo sobre o carisma do Allamano e do Instituto, investigou documentos antigos da devoção à Consolata em Turim, nos séculos passados, onde Maria é a Senhora desolada, desconsolada, que procura consolação. Há textos e hinos litúrgicos que remontam a 1300 e 1400, e que contêm expressões como estas: “A Mãe diz ao Filho: ‘Dize à tua Mãe uma palavra, não a deixes assim tão sozinha e desconsolada.’”
Nicodemos consola Maria quando desprega da cruz o corpo de Jesus. Jesus a consola quando vem buscá-la e levá-la ao céu.

José Allamano celebrou a sua Primeira Missa em Castelnuovo, no domingo 21 de setembro de 1873: era a festa de Nossa Senhora das Dores, cuja veneração cultivará por toda sua vida, ele que durante 46 anos foi Reitor do Santuário da Consolata. E dirá: “Alimentar devoção a Nossa Senhora das Dores é uma obrigação de todos os cristãos, mas é um empenho particularmente nosso, pois, como filhos da Consolata que somos, temos a obrigação especial de consolar a nossa Mãe, a obrigação de torná-la verdadeiramente “Consolata”, isto é, Consolada. Não é por nada que trazemos este belo título” (VS 720).

b) A glória ferida pela história: a Paixão continua – O Concílio Vaticano II apresenta Maria itinerante e gloriosa: “A Mãe de Jesus, tal como está nos céus já glorificada de corpo e alma, é a imagem e o começo da Igreja... Assim também brilha aqui na terra como sinal da esperança segura e do conforto para o povo de Deus em peregrinação, até que chegue o dia do Senhor” (LG 68).
Uma mãe que caminha na terra com o seu povo, entre a guerra do Iraque, a globalização do mercado e a exclusão dos pobres, o luto de Jerusalém e do Médio Oriente, o sono, o silêncio e a indiferença de muitos... não se sentirá, acaso, desolada e desconsolada com seus filhos e filhas?

Tepeyac (México), 1531: Maria de Guadalupe dirige-se ao índio Juan Diego: “Ouve-me, tu que és o mais abandonado dos meus filhos, onde vais?” E o índio, ao retornar do encontro com Juan de Zumárraga, sem ser atendido, diz a Maria: “Senhora, a mais abandonada das minhas filhas, minha filha...”
Se o enviado de Maria não é ouvido nem recebido, também Maria não é ouvida e posta fora de casa. Abandonado o pobre, abandonada a Mãe!

Dietrich Bonhoeffer, do cárcere, pouco antes de ser executado por Hitler, em 1945, escreveu que a “nova teologia” nascerá da página do Getsêmani, onde Jesus – uma “nova” presença de Deus entre nós – na hora da suprema desolação procura a consolação dos seus três discípulos e amigos.
Como continua na história a Paixão de Cristo e o sofrimento da Dolorosa-Consolata (Consolada)?

3. DESAFIOS DO TEMPO
Isaías, arcebispo de Cali – O arcebispo de Cali, na Colômbia, Dom Isaías Duarte Cancino, convidara insistentemente os Missionários da Consolata a assumir a coordenação da pastoral afro em sua diocese. Foram enviados três missionários. Poucas semanas depois da chegada destes, o arcebispo foi assassinado, por causa de suas corajosas denúncias contra os comerciantes da violência, especialmente do narcotráfico.
Uma semana antes de sua morte, convidou Padre Carlos e outro sacerdote diocesano a tomar uma xícara de chocolate na altura do quilômetro 18 da estrada que vai em direção ao mar, lugar muito conhecido e freqüentado, onde havia um pequeno restaurante, que ficara completamente abandonado depois que foram perpetrados nele atos de violência e o seqüestro de numerosas pessoas.
Durante a viagem de carro, o arcebispo explicava aos padres o motivo pelo qual convidava as pessoas a tomar o chocolate exatamente ali: “Onde a vida desaparece, é preciso reforçá-la, é preciso semeá-la de novo e ajudá-la a crescer. Não pode haver áreas proibidas! Eis o porquê da nossa presença aqui: para dar vida ou restituí-la, para devolver dignidade ao nosso povo e à terra na qual vive. Defender a vida que é marcada pela angústia e consolá-la! Foi por isso que convidei os Missionários da Consolata e é para isso que estais aqui.”

Receber a consolação e infundi-la no coração da vida ameaçada, ferida, exposta, ou também matada; sentir-se enviados por um bispo, às vésperas do seu martírio, não significa ter descoberto a fonte e a meta da consolação? E a graça como responsabilidade?

PONTOS PARA REFLEXÃO

· O nome: “Missionários da Consolata” é uma síntese de três dimensões da nossa vocação: missão ad gentes, Maria, Consolação. Concretamente, como unificamos esta tríplice dimensão numa identidade que alimente a espiritualidade, o zelo e o método missionário?

· “A Sagrada Escritura é o nosso livro; no Instituto, o estudo da Sagrada Escritura deve ocupar o primeiro lugar – diz-nos o Fundador.
- Encontramos o tempo para a “lectio divina?”
- Partilhamos, periodicamente, a reflexão na comunidade?
- Estabelecemos determinados momentos para fazer a revisão de vida à luz do Evangelho, inclusive com as irmãs Missionárias da Consolata, quando trabalham no mesmo ambiente?

· Partilhamos com os leigos o carisma e a espiritualidade da consolação?

· Consagramos tempo para fazer a leitura da realidade, servindo-nos também, às vezes, de peritos no assunto, a fim de conhecer de maneira bem concreta as necessidades do povo, as causas, as prioridades dos empenhos?

P. Ezio Guadalupe Roattino

Recenti

XXIX Domenica del Tempo Ordina…

19 Ott 2021 Domenica Missionaria

Ottobre missionario. Il mister…

18 Ott 2021 Preghiere Missionarie

Visita Canonica nella zona del Meru

Visita Canonica nella zona del…

18 Ott 2021 I Nostri Missionari Dicono

Il Vescovo Ponce de León: "La via per uscire dalla crisi è un dialogo nazionale realmente inclusivo"

Il Vescovo Ponce de León: …

18 Ott 2021 I Nostri Missionari Dicono

Mons. Giovanni Crippa nuovo vescovo di Ilheús

Mons. Giovanni Crippa nuovo ve…

18 Ott 2021 I Nostri Missionari Dicono

Indigeni migranti a Boa Vista …

18 Ott 2021 Missione Oggi

Finestre sul mondo

12 Ott 2021 Finestra sul Mondo

XXIX Domenica del Tempo Ordina…

12 Ott 2021 Domenica Missionaria

Ottobre missionario. I frutti …

11 Ott 2021 Preghiere Missionarie

Dalla casa alla missione... in…

11 Ott 2021 Missione Oggi